terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sobre a bravura!


O Soldado da Paz é do tipo que sonha acordado, que voa com a imaginação, sorri por qualquer bobagem e gasta tempo observando detalhes aparentemente desinteressantes. Alguns companheiros criticam. “Parece tão forte e determinado em certas áreas, mas tão imaturo e indeciso em outras”, comentam. Mas esta é só mais uma das bobagens das quais o guerreiro sorri. Está decidido a viver o que acredita. Sem acumular regras desnecessárias e sem ser escravo das opiniões alheias. Ele aprendeu o principio que diz: “A bravura não está na ausência de sentimentos; pelo contrário, quanto mais sensível e observador, mais o guerreiro será capaz de discernir o sentido de cada golpe que der em combate”.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sobre os sabores da vida!


Às vezes a Mulher de Fé sente-se insegura e infeliz. Nestes momentos ela faz uma análise geral de sua vida e descobre que tudo vai bem. A rotina é a mesma: sem tragédias nem grandes emoções. Mas algo parece ter perdido o sabor. Ela vai até a janela e olha a rua lá fora. Tudo está como antes, mas a praça parece sem vida. Ela passa então a pensar em cada um de seus melhores amigos - nada que lhe motive. Neste momento sua alma se manifesta: “Há comida com fartura, mas tem lhe faltado fome. Há motivos suficientes para celebrar, mas lhe falta vontade”. A Mulher de Fé respira fundo. Sua alma tem razão. Ela vai até o espelho, lava o rosto e sorri. “A vida nos deu muitos sabores”, ela diz para si, “e felizes são aqueles que ousam experimentá-los”. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sobre a dor!


Então disse Du-Chan aos seus discípulos: A dor é um mal necessário ao bem da vida. Sem ela jamais detectaríamos que algo não vai bem. Os poetas transformam dor em versos. Os pintores usam-na a fim de pintarem os seus mais belos quadros. Os músicos transformam-na em melodia e alegram a alma do mundo. Eles aprenderam a fazer da dor os seus maiores trunfos. Portanto lhes digo: Se algo está doendo, transforme este momento em sua maior obra ou talvez em sua mais bela história.

Sobre o pão, o chão e o coração!

Todos nós aguardamos um amor verdadeiro – e que ele nos ame sem reservas apesar de todos os nossos defeitos – apesar de sermos quem nós somos. Com isso, esperamos os beijos de bom dia e os abraços de até logo. Aprendemos que quem ama e se sente amado sabe que jamais estará só. O amor nos acompanha – mesmo que esteja longe. O amor nos vigia – mesmo que seus olhos estejam voltados para outra direção. Tudo bem, o amor jamais olhará para outra direção! Para quem ama, o aqui e o acolá têm a mesma distância. Quem ama de verdade, divide a vida com alegria. Sim, o mesmo pão, o mesmo chão e um só coração.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Sobre a benção de seguir Teus passos!


Senhor, eu sei que não me criastes para ser como uma folha seca que baila indecisa com a melodia do vento - solta na imensidão do universo. Tu tens um destino escrito para mim. É por isso que hoje venho aqui, não para pedir-Lhe riquezas – pois não quero que ocorras que estando eu abastado, me esqueças de Ti. Também não vim pedir-Lhe a pobreza, a fim de que não ocorra de que estando eu a padecer necessidades blasfeme contra Ti. Peço apenas que me ajudes a entrar em Seu plano. Sei que pensastes em tudo quando me formastes. Revela-me Tua vontade. Ajuda-me a compreendê-la. Dê-me sabedoria para entender os Teus propósitos e um coração sensível para perceber a Sua doce voz. Permita-me a benção e seguir Teus passos. Amem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sobre aquilo que nos motiva!


Se algum dia você fugir, que não seja por covardia, mas apenas por avaliar que o combate não merece a honra de sua espada. Se algum dia você desistir de tudo, que não seja pela sucessão de derrotas, mas porquefinalmente entendeu que chegou o momento de mudar o seu caminho. Se algum dia você decidir dizer adeus, que não seja por ter deixado de acreditar nas pessoas; mas por perceber que elas já estão preparadas para a liberdade de sua ausência. Nestes momentos, talvez sua alma diga: “Eu não estou pronta”. Não dê ouvidos a ela. Nem um de nós está. Jamais estaremos. Lembre-se: mais importante que estar pronto, é estar disposto. Nem sempre o mais importante é o que nós fazemos, mas o que nos motiva a fazer. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Sobre a solidão!

É finzinho de tarde, quase noite. Está chovendo fino há dias e os picos das montanhas estão cobertos pelas nuvens baixas. Álih, o guia, e Jávier, seu aprendiz, estão sentados no alpendre observando a chuva que desce lentae preguiçosa. “O senhor tem medo da solidão?”, o jovem pergunta em um momento aparentemente sem clima para um assunto tão delicado. O olhar do velho é leve, pacífico e puro. Eles continuam fitando as montanhas lá na frente. Álih respira fundo: “A solidão é uma estrada que pode nos levar a dois destinos completamente diferentes”, diz. “O primeiro nos conduz ao desespero, à angústia e ao medo. Mas ela também pode nos levar a ter momentos maravilhosos com nós mesmos, onde meditaremos, repensaremos nossos caminhos e falaremos com os anjos. Eu não busco a solidão, mas quando ela aparece, procuro me aproveitar de seus benefícios. É aí que posso ouvir mais a voz do meu coração e a voz de Deus”. O jovem não diz mais nada e continua observando as montanhas. Com as chuvas, logo as pastagens irão brotar e os pastores e seus rebanhos voltarão a ocupá-las. Mas enquanto eles não vêm, as montanhas podem meditar em paz e ouvir tranquilas os sons produzidos pela melodia dos ventos. Elas também parecem não temer a solidão. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Sobre vencer a ansiedade!

Senhor, arranque esta ansiedade do meu coração. Ela tem sido como brasas que queimam meu peito; como um pano que sufoca minha face roubando-me o ar. Sei que Tu és o remédio. Ajuda-me em minha falta de fé, pois se de fato pertenço a Ti e se Tu estás no controle de todas as coisas; bem, então não há o que temer. A ansiedade se manifesta quando os meus lados ainda imaturos começam a ganhar força. Portanto, meu amado Senhor, todas estas preocupações não são fruto de Sua omissão, pois nunca És omisso. Mas elas vêm da minha pressa, desta minha incapacidade de aguardar, confiar e descansar em Ti. Refrigera a minha alma e que eu definitivamente aprenda o que já me ensinastes: “Basta a cada dia o seu próprio mal”. Amem.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sobre não temer o destino!


Um dia o viajante se cansa de seu caminho. Quando isto acontece, ele se lembra de que pode parar um pouco, descansar e contemplar a beleza paisagem. Neste momento sua alma encontra alívio e, cada passo que antes era dado apenas no piloto automático, agora passa a ser consciente. O caminho que antes era uma obrigação se torna prazeroso. “Estão vendo aquelas montanhas lá na frente?”, ele pergunta empolgado aos companheiros. Eles são se importam; ainda estão no piloto automático. Aí ele descobre que as pedras e as curvas não haviam se unido para impedi-lo de alcançar o seu destino, mas eram necessárias a fim de forjar o seu caráter. Depois de um tropeção ele sorri e segue adiante. O viajante não sabe o que lhe espera, e é justamente isso que o impulsiona a continuar aproveitando cada passo desta jornada. Ele aprendeu a não temer o seu destino.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sobre você, os pássaros e as árvores!


Eu já invejei os pássaros. Eles vão a Damasco e a Jerusalém no mesmo dia. Estão livres, podem descansar no rio Nilo e depois voam sobre as rochas do monte Sinai. Eles podem dizer orgulhosos: “O mundo inteiro é nosso e não precisamos nos comprometer com lugar algum”. E eu também já invejei as árvores. Elas fixaram suas raízes e disseram a si mesmas: “Nós não precisamos conhecer o mundo para sermos felizes. Estamos bem aqui no lugar onde estamos. Cresceremos, faremos sombra aos viajantes cansados, bailaremos a melodia do vento e brincaremos com as crianças que vierem até nós em busca de frutos no outono”. Bem, enquanto os pássaros voam e as árvores aguardam ansiosas ao fim do inverno, vou ficando por aqui: livre como aqueles que passeiam pelos céus e fixamente comprometido - como aquelas que amam o chão onde nasceram.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sobre o momento de lutar por seus milagres!


O Soldado da Paz acredita em milagres. Isto não significa que sua fé nunca tenha entrando em crises. Por muitas vezes ele disse a si mesmo: “Tudo isso é bobagem”. E começou a viver como se sua missão não fizesse a mínima diferença e como se as verdades espirituais que aprendeu não lhe interessassem mais. O guerreiro fingia não perceber a presença do seu anjo ali do lado, que não o deixou, nem mesmo quando por algumas vezes negou a sua fé. Mais um dia seu anjo se tornou visível. “Chega de brincadeira”, disse. “Afie sua espada, pegue apenas o necessário e venha comigo”. O guerreiro não discute. Vai até o baú empoeirado e pega a velha espada. É hora de voltar a lutar por seus milagres. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sobre os toques da vida!


Estou descalço na beira do riacho. A calça está dobrada até os joelhos e eu sem camisa. Dou mais dois passos na direção das águas e sinto os meus pés gelarem. Respiro fundo e percebo minha alma sendo invadida por tudo ao mesmo tempo: O choro e o riso; a fé e a luta; o amor e o medo; a esperança e as decepções; a amizade e a solidão; os sonhos e os pesadelos; a ansiedade e o refrigério; a dor, a alegria, a noção do tempo e a razão. “Como é bom sentir”, digo para mim mesmo. Aqui não tem nada. O silêncio é o barulho. O grilo cricrilando longe e tímido, o grito assustado da água sendo surpreendida por uma leve queda no riacho um pouco abaixo, alguma folha seca indecisa bailando com o vento ali ao lado e nada mais. “A vida só vale a pena quando somos capazes de senti-la”, digo baixinho não querendo emudecer o silêncio. “E é justamente quando a gente para que podemos sentir os seus toques mais suaves”.



A sutileza!

Não é ‘‘no braço’’, é no abraço. Não é a força do golpe, mas a habilidade de bater sem abater. Quando alguém precisa gritar pra ser ouvido,...