quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sobre as marcas do tempo!

De vez em quando o Soldado da Paz para em frente ao espelho e fita os próprios olhos. E ali, vendo sua imagem cansada, o guerreiro enxerga também a sua alma. “O tempo passou”, o coração fala baixo. Seu olhar é triste, profundo, vazio, generoso, amável, solitário e parece querer transmitir uma verdade ainda não revelada. “Ele passou”, responde no mesmo tom silencioso. “Mas deixou aqui comigo as suas marcas: o medo que já senti; as vezes em que me senti fraco e incapaz, ou quando experimentei a dor do golpe de quem mais confiava. O tempo se foi, mas suas pegadas permanecerão para sempre. Elas não sangram, nem doem, mas ainda estão impregnadas em meu olhar”. Neste momento o guerreiro fecha os olhos. Algumas lágrimas descem por sua face. Elas não são de raiva ou pesar. Talvez seja alívio de ter vivido tudo aquilo e ainda estar por aqui.
Thiago Mendes

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre não temer a morte nem a vida!

Era manhã e o sol ainda se espreguiçava todo se esforçando para nascer. O combate começaria a qualquer momento. No arraial, do outro lado do vale, o inimigo bradava intensamente. O Soldado da Paz chama seus companheiros: “Não tenham medo do ruído estrondoso do inimigo que brada do outro lado do vale. Sejamos sinceros: devemos temer muito mais o clamor, muitas vezes silencioso, de nossa alma, continuamente insatisfeita e insegura. A verdade é que cada um de nós é mais perigoso que um exército inteiro preparado para lugar. Na hora do combate, o mais importante é estar preparado tanto para a morte como para a vida”. Os guerreiros ouvem em silêncio. Logo suas espadas tocarão as de seus adversários. “Não temam a morte nem a vida. Temam a vocês mesmos”, dissera o guerreiro.

Thiago Mendes

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sobre a mulher e seus demônios!

A Mulher de Fé já sentiu-se inútil para a vida, para as pessoas à sua volta e até para si mesma. Ela já ficou triste, desejou a solidão e buscou consolar-me com boas lembranças – mas acabou não sendo capaz de encontrá-las. A Mulher de Fé já desafiou o perigo, deu voz aos seus desejos e permitiu que eles voassem com os pássaros. Ela já se arrependeu, já duvidou de sua fé e acabou tendo que crer contra a sua esperança. Embora tenha consciência de seus erros, sente-se fraca para lutar agora. Fará uma prece, dormirá um pouco, e amanhã, quando o Sol nascer outra vez, ela certamente estará mais forte e, assim, poderá vencer os seus demônios pessoais.
Thiago Mendes

Lançamento! Thiago Mendes lança seu novo livro, “Ainda que eu fale a língua dos anjos”, no dia 10 de julho, sexta-feira, a partir das 19h na Saraiva Mega Store do Shopping Flamboyant. Compareça!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sobre até que finalmente chegue o fim!

Não criem esperança com aquilo que não gera paz. O que agora pesa o coração - se levado adiante, certamente acabará por pesar por sobre a própria vida. Procurem fugir das vaidades de nossos dias. Acreditem, elas enlouquecem o ser e embriagam a alma. Se abandonarmos o caminho da simplicidade, acabaremos por tornarmo-nos escravos de sentimentos insaciáveis. Não culpem a ninguém por aquilo que deu errado em suas vidas. Quando assumimos os erros, fica mais fácil minimizar suas consequências. Não sejamos mais meninos em busca de colo e consolo o tempo todo. Exijam menos dos outros e mais de si mesmos. Não parem quando tudo der errado. A vida é tentativa. É recomeço. E nela, na verdade, tudo é início, até que finalmente chegue o fim.
Thiago Mendes

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sobre ajuntar os próprios cacos!

Às vezes, depois do combate, o Soldado da Paz é obrigado a ajuntar os seus próprios cacos. E aí o guerreiro gasta suas horas compridas, destes dias intermináveis tentando recuperar o que alguns ainda ousam chamar de vida. E é justamente ali, prostrado diante de todos os seus mais evidentes fracassos, que ele repensa seus caminhos e tenta se levantar. Recomeçar jamais será uma tarefa fácil. Pesam-lhe a culpa pelos erros passados, a responsabilidade de pedir uma nova chance aos companheiros e a incerteza de que realmente desta vez será diferente. Mesmo cansado e sem ânimo suficiente, o guerreiro espera pelo tempo que se arrasta indisposto. Um dia gritarão novamente seu nome. E ele dirá sim. Porque as feridas de agora serão apenas cicatrizes amanhã e elas certamente dirão: “Seja prudente, não desmereça seu adversário, valorize mais seus 
companheiros”.
Thiago Mendes

Quando encontramos lugar!

Um dia você vai acabar encontrando seu lugar. Mas lembre-se: lugares não são tijolos, cimento e telhados. Lugar é gente, aconchego, ...