sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o tempo e o eterno!

Aqui estamos presos ao tempo, mas um dia estaremos livres no Eterno. Aqui somos vítimas das assim chamadas “injustiças do tempo”. Lá, seremos apenas nós e o Todo! Aqui sentimos medo, frio, fome, solidão, saudades, tristeza. Lá, viveremos e nos alimentaremos do amor. Aqui o tempo é tudo que temos. Lá, o eterno será tudo que poderemos. Aqui corremos para aproveitar cada segundo. Lá, os segundos serão eternidades inteiras. Aqui temos medo que o tempo passe sem que tenhamos feito nada. Lá, nada passará! Aqui nos preocupamos sempre com o dia seguinte. Lá, os dias seguintes simplesmente não existirão! O hoje será para sempre e eternamente. Aqui vamos dormir com vontade que o dia amanheça logo e amanhecemos pedindo uma noite de descanso. Lá, os dias de trabalho e as noites de descanso serão desnecessárias. Estaremos ocupados demais para pensar em trabalho ou em descanso. Mas o tempo é importante porque é aqui que definiremos como estaremos lá. O Soldado da Paz sabe que estamos aqui de passagem, e esta, acredite, é uma viagem rápida demais! Pense nisso!

Thiago Mendes

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sobre alimentar o interior!

O arqueiro vive um bom momento. Vem acertando praticamente todos os alvos e está de bem com o seu arco. Tem recebido constantes elogios de pessoas ilustres que lhe enchem de presentes e falam de sua importância em voz alta.Todo o povo reconhece o seu trabalho, diz alguém,e imaginar de onde você saiu, é sem dúvidas, um vencedor!. O arqueiro não diz nada. O silêncio neste momento parece ser a mais sábia de todas as expressões de um guerreiro. Não é apenas o fato de não se dar bem com os elogios. Sua alma está aflita. Ele sabe que não importa o quanto as coisas visíveis estejam boas; se o interior não vai bem, tudo está mal. O arqueiro entende que é o momento certo de trabalhar menos do lado de fora, e ampliar as construções dentro de sua alma. Ele fecha os olhos e fica em silêncio pra tentar ouvir a voz de seu coração:Não importa o quanto você está suprido do lado de fora se aqui dentro morro de fome. O arqueiro continua refletindo.Alimento-me, continua o coração,de amor sem espera de recompensa; de favores realizados, mas que ninguém vê; de esmolas secretas, de bondades gratuitas e que não necessitam de reconhecimento. O arqueiro sente-se aliviado, entendeu que favores públicos suprem necessidades físicas e produzem elogios. Mas quando agimos no secreto, estamos alimentando o nosso ser interior!

Thiago Mendes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sobre como ouvir a voz de Deus!

Jávier, o aprendiz, acordou de manhã, fez suas preces e foi tomar o café. Álih, o guia, está à mesa.Não consigo ouvir a voz de Deus, resmunga o rapaz,por mais que me ajoelhe todas as manhãs e gaste tempo falando com Ele, jamais O ouvi. O velho mastiga calmamente o seu biscoito. Jávier prossegue em seu lamento:Depois de tentar todas as manhãs estabelecer uma comunicação com Deus e não ter resposta nenhuma, posso imaginar que, ou Ele não existe, ou talvez realmente não deseja falar comigo. Álih observa Jávier em silêncio. Mais um gole no café, mais uma mordida no biscoito. Mais murmúrio:Quando sai de minha casa para vir até aqui estudar o Caminho Sagrado, recomeçou o rapaz,imaginava que aprenderia estabelecer contato direto com Deus, mas até agora Ele se mantém em silêncio. O velho suspira e finalmente fala:O problema é que desde que você chegou aqui está tão ocupado falando com Deus que ainda não teve tempo para ouvi-lo. Deus é educado e não falará enquanto você não parar de falar. Você chegou à mesa, não me cumprimentou e falou o tempo todo e não me deu nenhuma chance de entrar na conversa. Deus é educado. Enquanto você estiver falando, Ele não falará. Amanhã de manhã quando se ajoelhar, fale 'bom dia, Senhor' e se cale. Com certeza irá ouvir a doce voz de Deus que de tão doce se confunde ao silêncio e de tão estridente se mistura aos trovões.

Thiago Mendes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sobre renovar as armaduras!

O Soldado da Paz resolveu renovar a sua armadura. Seus golpes ultimamente parecem estar mais pesados e acabou ferido em combate. “Às vezes somos feridos não porque o treinamento está ineficaz ou por imprudência”, pensa consigo. “Muitas vezes é apenas nossa armadura pedindo renovo”. Neste dia tudo o que ele faz é afiar sua espada já cega e se lembrar de cada vitória que ela lhe ajudou a conquistar. Cada falha em seu corte tem uma história, um porquê. Depois chega a hora de polir o seu escudo já cheio de marcas. Cada uma daquelas marcas foi uma vez em que sua vida esteve por um fio e... Ainda bem que o seu escudo estava lá e o guardou de ataques, algumas vezes, mortais. O Soldado da Paz fecha os olhos e sente que não só a sua espada e o seu escudo estão se renovando – sua fé também. Olhando naquelas marcas ele pôde, de alguma maneira, voltar a cada campo de batalha onde esteve e descobrir que se ele está firme até hoje, é porque a sua missão ainda não acabou. O Soldado da Paz segura novamente a sua espada, pega o escudo e se sente novamente pronto. Só neste momento ele entende que não eram apenas espada e escudo que precisaram de renovo, o guerreiro também.

Thiago Mendes

Sobre a mulher e o destino!

A Mulher de Fé acredita na força de seu destino. E para ela, destino é apenas o caminho construído quando unimos razão, coração e decisão. Não é algo que vem pronto, estabelecido, e sim, o que construímos com cada decisão tomada, com cada sim e não, com cada amizade que se constrói e com cada mudança a que nos propomos. Sim! Para a Mulher de Fé o destino existe e ele está em nossas mãos. Nós o guiamos e ditamos as regras. Ela, é verdade, por muitas vezes já chegou a pensar que havia nascido para sofrer. As constantes decepções fizeram com que pensasse desta forma, mas sempre quando tudo volta ao normal, ela consegue enxergar que estava errada: nós nascemos para crescer; e isto em alguns momentos significa sofrer! A Mulher de Fé aprendeu que sofrimento é apenas mais um ingrediente deste bolo delicioso chamado vida. E é através deste sentimento que muitas vezes nos despertamos para coisas mais importantes, nos tornamos pessoas mais sensíveis e compreensivas. Não foi o destino que programou o sofrimento, mas por alguma circunstância, a vida achou necessária que ele viesse. E quando ele vem, o enfrentamos com coragem e esperança. A Mulher de Fé já enfrentou lutas semelhantes em outros momentos e se ela passou por tudo aquilo, também será capaz de passar por tudo isto. É! Ela seguirá o seu destino...

Thiago Mendes

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sobre a voz do amor!

O arqueiro demorou um pouco para aprender a língua de seu arco. No início, a comunicação entre eles era praticamente impossível. Havia mal entendimento, não conseguiam saber direito o que o outro estava pensando e o final era sempre a fecha longe do alvo. Aí decidiram não atirar até que tivessem um entendimento claro um do outro. Os exercícios foram iniciados: falavam sempre mais lento, não desistiam de estabelecer a comunicação até que se sentiam completamente bem compreendidos, e aprenderam que não adianta falar por falar: é necessário transmitir uma mensagem! Depois de terem desenvolvido bem a linguagem de palavras, ambos, arco e arqueiro, decidiram que era hora de elevarem o nível – aprenderiam a linguagem do coração. A partir daí, aprenderam a linguagem do silêncio, do amor e da fé. Foi aí que começaram a atirar sempre na mesma direção e por mais que as vezes ainda errassem o alvo, compreendiam o porque de terem errado e tentavam se acertar. O Soldado da Paz sabe que enquanto não somos capazes de entender a linguagem falada ou sentida das pessoas que estão ao nosso lado, não seremos capazes de nos sentir realizados ao lado delas e nem de realizá-las ao nosso lado. E tudo isso só é possível quando nos dispomos a aprender a ouvir a voz do amor!

Thiago Mendes

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sobre a vida de alpinista!

Ser alpinista deve ser muito bom. Na verdade alpinismo deve ser um um dos esportes mais emocionantes que existe. A escalada lenta, milimétrica, calculada e perigosa; a emoção de ver um mundo inteiro ficando lá embaixo, a sensação de saber que a vida está literalmente por um fio, a subida a qualquer custo e a qualquer preço, e finalmente o objetivo alcançado e lá de cima a vista que é capaz de pagar cada centavo de esforço praticado. O problema é que há também outro tipo de alpinista: os existenciais. Aqueles que pra “subir na vida” são capazes de pisar em qualquer um sem o constrangimento de saber que seu sucesso depende do fracasso de outro. Para este tipo de alpinista, geralmente a paisagem final não é tão bela nem tão inspiradora quanto a daquele que sobe montanhas e fere o próprio corpo para alcançar seu objetivo. Na verdade, o alpinista existencial quer chegar ao topo com as feridas dos outros. Chegar lá no alto é bom. O problema é que na vida nem todas as estradas que levam ao topo são capazes de nos manter lá em cima!

Thiago Mendes