quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sobre o "mundo particular"!




Ela possui uma alma livre - que sonha voar, mas habita um corpo comprometido com o que aprendeu a chamar de “meu mundo particular”. No macro, acha que tudo poderia ter sido diferente: seus amores, seu labor, seus sonhos e seu caminhar. No micro, entende que o melhor que existe está bem aqui, habitando este universo e dividindo seus espaços. Quando se sente só e, algumas vezes vazia, vai até o espelho e diz a si mesma: “Vento: cala-te! Mar: aquieta-te!” Ela então respira, sente sua alma descansar e descobre que tudo está em plena ordem em seu “mundo particular”. “Vai passar...” é o que consegue dizer enquanto sorri.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Sobre o poder da reação!

Às vezes o Soldado da Paz é ferido e cai em combate. A batalha segue pesada, e por um instante o guerreiro não sabe bem se está vivo ou morto. Alguém comenta: “Ele não vai conseguir”. “Foi um grande soldado, mas não entendeu que o tempo passou e está pagando o preço por tal erro da pior maneira possível: com a própria vida”, responde outro. Mesmo sem estar em plena consciência, um filme passa por sua cabeça. Lembra-se dos primeiros ensinamentos do mestre, das dúvidas que teve no início de sua caminhada, das dificuldades semelhantes que já enfrentara... Ele ouve a voz de seu anjo que está ali, em algum lugar: “Você pode reagir ou se entregar. Estamos todos torcendo, mas esta decisão é só sua”. Ele segura sua espada e se apóia nela para se colocar de pé. O guerreiro usa o poder da reação para vencer mais um combate. Ele sabe que alguns se entregam e aceitam a derrota. Outros se levantam, reagem e vencem a batalha. O anjo estava certo: “A decisão é sua”.


Thiago Mendes

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sobre esta dura arte de viver!

Eu já perdi e já ganhei. Já feri, já fui ferido; já fui injusto e injustiçado. Já sofri por amor e já fiz sofrer por ele – ou por sua ausência. Mas é nesta contínua seqüência de quedas, revanches e superações que a gente vai sendo lapidado na dura arte de viver. A vida não é para os moles. Ela é dura como a realidade e insensível como a razão. Os fracos, embora compartilhem da existência, estão sempre fugindo do inevitável: “Estamos bem como estamos, não precisamos nos arriscar”, dizem. “Nossa situação é cômoda, e correr riscos é uma aventura desnecessária”. Mas a vida passa para todos nós. E os que não foram capazes para enfrentá-la, partem para seus túmulos felizes. Sem inimigos, sem cicatrizes e sem boas histórias para contar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Sobre a fé!

Todos nós perdemos fôlego e forças em algum ponto da jornada. Mesmo que estejamos bem resolvidos nas dimensões da alma e do espírito – em alguns momentos somos tentados a deixar o bom combate. “Se tu és mesmo um dos filhos de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”, diz o adversário em tom irônico. Nossa alma faminta geme. Nossas convicções firmes nos empurram adiante. Mais alguns passos. Mais algum tempo. Mais alguns anos. E aí, lá na frente, afirmaremos: “combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Quando falta fôlego e ânimo acionamos a fé e é ela que nos dá forças para seguir adiante.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sobre a busca!

Eu estou aqui, e lá fora o mundo. E neste mundo vago, subjetivo, estão as pessoas, e elas, cada uma delas – cultiva o seu mundo particular. Ninguém é igual, mas também ninguém é tão diferente assim. Nossas buscas são as mesmas ou no mínimo extremamente parecidas – as diferenças estão apenas na maneira em que manifestamos nossos anseios. Queremos ser amados, importantes, vistos, ouvidos, desejados, levados à sério – mas temos maneiras diferentes de comunicar isso. Alguns se vestem de maneira vulgar, outros se cobrem exageradamente, alguns fazem barulho, outros enclausuram-se em seus quartos de solidão, mas todos têm o mesmo grito por atenção. Eu estou aqui, e lá fora o mundo, e nele, um universo inteiro de pessoas muito diferentes de mim, mas que buscam coisas extremamente parecidas. Qual é a sua busca?

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre a insatisfação!

Às vezes, mesmo tendo tudo de que precisamos nesta vida, não conseguimos experimentar a felicidade. Vivemos no lugar em que amamos, fazendo aquilo que mais gostamos e ao lado das pessoas a quem mais queremos bem – mas mesmo o ambiente de tamanha perfeição parece-nos insuficiente. Sorrimos para as pessoas e dizemos nossas frases de efeito decoradas, tipo “nunca estive tão bem”, ou “sou uma pessoa de sorte”, “faria tudo de novo se fosse preciso”, mais um dia conversamos com o espelho, e lá, olhando em nossos próprios olhos dizemos a nós mesmos: “O que há de errado comigo? O que eu fiz com minha vida, minha única vida? Os anos passaram, estou ficando velho e me sinto covarde”. Temos arco-íris, faltam-nos tempestades. Temos brisa, queremos furacões; temos paz, mas queremos emoção. Bendita vida. Maldita insatisfação.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sobre aquela profunda solidão, sabe?

O Soldado da Paz, às vezes, sente uma profunda solidão. Aí ele se mistura às outras pessoas, sorri ao lado dos companheiros, conversa com seu anjo, mas a solidão persiste. Ele olha à sua volta; o mundo está abarrotado de pessoas. Apressadas, aflitas, sorridentes, ansiosas, contentes, sonhadoras, frustradas... O guerreiro pensa em sua própria história. A meninice confusa, a adolescência medrosa, a juventude sonhadora. “E o que eu sou agora?”, ele pergunta para si mesmo. “Você é a soma de tudo isso”, seu coração responde silencioso. Talvez ele, o coração, tenha lá as suas razões: as dúvidas quanto aos próximos passos, o medo, os sonhos, e até mesmo esta profunda solidão façam parte da vida – e se amplificam em nós de tempos em tempos. Que reine em nosso interior, aquilo que nos eleva e nos faz mais nobres.