“O que você veio fazer aqui entre as montanhas, meu rapaz?”, perguntou Álih, o guia. Jávier, o aprendiz, já tinha seus olhos cheios de lágrimas. “Sou apenas uma pessoa covarde que decidiu fugir do amor. Descobri que sou desastrado e atrapalhado demais para amar. Em todas as vezes que tentei entregar-me a este sentimento acabei por fazer com que alguém sofresse. A estrada do amor é incerta, perigosa e cheia de muitas curvas”. O velho sorri de maneira respeitosa. “O amor adora os desastrados”, diz. “E sempre se revela àqueles que estão em constante fuga. A contradição é que geralmente o amor se esconde daqueles que vivem por persegui-lo e encontra aqueles que fogem dele”. O rapaz arregalou os olhos e também sorriu. “É fugindo que se encontra o amor. Aí só precisamos aceitá-lo em nossas vidas”.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Sobre o doce desafio de amar quem nos rejeita!
Quero sonhar na escuridão. Quero enxergar a beleza da vida mesmo naqueles dias mais turbulentos. Preciso amar quem me rejeita. Aceitar quem me despreza. Abrir a porta do meu lar e oferecer pão àqueles que um dia me pediram para sair. Aprendi que quando guardamos mágoa, estamos, antes de tudo, fazendo mal a nós mesmos. Reaprendamos a arte de viver. Sem mágoas, sem pesos e sem aqueles dramas desnecessários. A vida nos entregou gratuitamente um milhão de motivos para sorrir e não - não serão alguns probleminhas que nos farão desesperar e desistir de tudo. Eu escolho ser feliz, pois afinal será sempre melhor viver o lado bom das coisas.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Sobre aquele ponto fraco, sabe?
O Soldado da Paz conhece bem a si mesmo, e é justamente por isso que sabe que precisa manter a vigilância em todo o tempo. Ele tem lá os seus pontos fracos e, assim como o herói mitológico Aquiles da Grécia Antiga que, embora considerado invencível, tinha a sua fraqueza no calcanhar - e foi justamente pelo calcanhar que o herói grego caiu - o Soldado da Paz vasculha seus pontos fracos e procura trabalhá-los, mas nem sempre é fácil. Ele sente o peso da culpa de não ser perfeito, então seu anjo aparece: “Tudo está em seus olhos. Veja a vida com pureza e a malícia perderá força em você. Sobre tudo o que se deve guardar, guarde o coração, porque é dele que procedem as fontes da vida”, diz o guerreio celestial. O Soldado da Paz se sente melhor, mas manterá a vigilância.
sábado, 9 de janeiro de 2016
Sobre a imprudência!
De vez em quando o Soldado da Paz ouve seu anjo dizer: “Não subestime o adversário. É a sua imprudência que o faz poderoso”. Mas nem sempre o guerreiro da à atenção devida às palavras de seu protetor e quando deixa de ouvi-lo, sempre termina ferido em combate. O guerreiro só se desperta para a importância daquilo que está fazendo quando sente a espada ferindo sua carne ou sua alma. Aí, machucado, ele gasta tempo tentando se recuperar dos ferimentos, depois reinicia os treinamentos e torna ao combate, mas o processo de cura e retorno quase sempre é lento e dolorido. Aí ele se lembra de que toda dor que sentiu não teria sido necessária se tivesse ouvido o pequeno conselho de seu anjo: “Não subestime o adversário. É a sua imprudência que o faz poderoso”.
Thiago Mendes
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Sobre o sal e a luz!
Fortalece-me Senhor, nesta missão. Sei que Tu mesmo capacitas e respaldas aqueles a quem Envias, mas em alguns momentos já pequei contra Ti duvidando da vocação para a qual me constituíste. Afasta de mim o cálice da vergonha e fortaleça meus punhos cansados a fim de que eu jamais me esmoreça durante o Bom Combate. Conduza meus pés para que trilhem caminhos planos. Guie meus olhos para que enxerguem a vida com bondade e misericórdia. Guie meus ouvidos a fim de que eu ouça os gemidos daqueles que esperam por socorro. Guie meus lábios para que eu tenha sempre uma palavra de alento àqueles que sofrem as angústias desta vida. Que eu viva todos os meus dias para ser o sal e a luz que me ordenastes ser. Amem.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Sobre um lugar mágico chamado felicidade!
Então, sozinha em meu mundo – falando apenas comigo mesma eu pensei: era esta a droga de vida com a qual eu sempre sonhei? Foi nisto que passei a minha infância toda pensando? Seria este o príncipe que surgiria no chão árido da minha existência e me carregaria para um lugar mágico, chamado Felicidade? Sinto-me sozinha, frustrada e com muita raiva de minhas próprias decisões. Não há culpados além de mim: eu disse sim, “afinal porque raios eu disse aquela bobagem?”, eu quem fui me envolvendo e me entregando. Todos diziam: “você parece tão feliz” e, embora eu sentisse um vazio estranho em algum lugar da minha alma, me esforçava para acreditar em tudo o que eles diziam. “Você está fazendo a coisa certa, querida”, “Ah se sua avó estivesse aqui, ela estaria tão orgulhosa de você”. Mas e agora, onde estão todos? Lembre-se, não há culpados, eu disse “sim”, eu escolhi este caminho e é nele que terei que aprender a ser feliz. Não, eu não faria isto. Estou velha e fraca demais para recomeçar. Há muitas pessoas envolvidas naquele maldito “sim”. Vou tentar passar o resto de meus dias sorrindo, mesmo que aquele vazio estranho ainda esteja por aqui.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Sobre aquelas feridas que poderiam ter sido evitadas, sabe?
Depois do combate o Soldado da Paz para a fim de limpar suas feridas e atá-las com remédio. Logo em seguida ele reúne os companheiros e, juntos, acendem a fogueira e contam os detalhes da batalha. É aí que descobrem quais feridas poderiam ter sido evitadas. “E na batalha da vida é sempre assim”, alerta um dos guerreiros mais experientes, “muitas das feridas que adquirimos poderiam ter sido evitadas. Uma discussão desnecessária que afastou alguém importante em nossa caminhada, ou um comportamento impensado que terminou por gerar mágoa e dor, enfim, há muitos feridos no campo de batalhas da vida e o que podemos fazer é lavar estes ferimentos e tentar atá-los com o remédio do perdão”. Ninguém diz mais nada. Talvez estejam pensando em quantas feridas poderiam ter evitado. Agora, o que resta, é tomar o remédio do perdão.
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