domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sobre as confissões do pastor!


Hoje decidi abrir o baú dos meus lamentos. Falo, sem temores, a cada leitor como sendo um companheiro de batalha. Eis-me aqui: desanimado, cheio de dores, frágil como uma borboleta, venenoso com uma víbora. Reconheço minhas culpas, mas também não paro de buscar culpados. Reconheço meus progressos, mas insisto em me perguntar onde estaria se a estrada tivesse sido diferente. Lamento a solidão, mas não tenho sido capaz de valorizar os poucos ainda bons relacionamentos que me restaram. Não tenho tido paciência com as diferenças - o que faz de mim alguém pesado e, por muitas vezes, inconveniente. Minha alma flutua entre discursos: “Nunca estive tão bem, muito obrigado”, ou, “nunca estive tão mal, socorro”. Julgo-me sempre ocupado, a fim de me sentir importante, mas na verdade não tenho quase nada para fazer. Escrevo esses textos rasos para os jornais, faço meus programas nas rádios onde trabalho, falo nesta ou naquela igreja - sempre impaciente, querendo vir logo embora. Meu telefone raramente toca, e quando isso acontece, ou é algum ouvinte mais solitário que eu que dá explicações sobre onde conseguiu meu telefone pessoal que nunca entendo direito, ou minha mãe brava ou preocupada com alguma situação. De vez em quando algum jornalista sem nada de interessante pra dizer entra em contato querendo uma entrevista com as mesmas perguntas de sempre: “Onde consegue inspiração para escrever textos tão profundos todos os dias?” O que respondo: “Na minha família, meu relacionamento com os filhos, minha esposa ou no trabalho. Não sei bem, as ideias simplesmente surgem”. A verdade: “Textos profundos?! O que esse cara anda lendo por aí? Santa paciência”. Depois: “Quando podemos esperar um novo livro?” O que respondo: “Em breve, estamos trabalhando para isso, há uma expectativa muito grande”. A verdade: “Que livro? Nem sei sobre que vou falar, não há nenhuma frase pronta sequer e não tenho tido o menor ânimo para começar”. Quando alguém vem, quero que vá; e quando vai, gostaria que viesse. O que ainda me alegra é ficar aqui da janela do escritório vendo os meninos lá embaixo jogando bola ou brincando no parquinho. Às vezes desço, me aventuro um pouquinho com eles, mas logo volto aqui para dentro, pego o livro que estou lendo e vou curtir a minha egoísta solidão. Tudo bem. Bobagem. Vai passar. 

Um comentário:

Bella Dourado disse...

Em nome de Jesus vai passar sim, pois eu creio que a solidão é o refúgio da alma, para nos calar e silenciar diante de tanta coisa que temos a aprender.

Fique na paz abençoado, Deus cuida de nós.