terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sobre liberar o espírito para morrer!


Quando o Soldado da Paz perde o sono, entende que sua alma está faminta e busca o Todo. Depois de se contorcer na cama por várias vezes e observar o Universo por um bom tempo através da janela entreaberta, endente que o sono não virá. Aí senta-se na cama e faz uma prece: “Estou  tão eufórico para ver as coisas acontecendo no meu tempo e do meu jeito que não tenho sido capaz de confiar nas sementes que lancei durante o dia. Ajuda-me, Senhor, a confiar a ponto de poder fechar os olhos e descansar em paz”. Nenhuma resposta. A janela continua entreaberta, o Universo intocável, e ali, o Soldado da Paz observa o infinito. Um vento suave balança a janela. “Com tanta euforia, poderá ferir a si mesmo em combate”, diz uma voz doce trazida pelo vento. “Quando você dorme”, prossegue, “está liberando seu espírito para morrer e renascer depois. Deixe-o ir”.  Neste momento o Soldado da Paz se rende. Volta ao seu cantinho, se cobre, e fecha os olhos. Vai liberar o seu espírito para morrer mais uma vez. Sua alma está em paz.

Thiago Mendes

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