quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sobre saudades de coisas que sempre odiei!


O arqueiro está triste hoje. Há muito tempo aprendeu que se quisermos acertar o alvo, precisamos olhar para frente. Mas as vezes é impossível resistir aos constantes assovios do passado que nos convida a passear por estradas que sempre odiamos, e que hoje fazem tanta falta: os brinquedos das crianças espalhados pela casa que eram catados várias vezes ao dia irritando a qualquer santo; a voz do “outro” que circulava por ali em tom alto que irritante, mas que agora faz tanta falta; as visitas inconvenientes que apareciam sempre em momentos errados, mas que agora já não aparecem em momento nenhum; os problemas corriqueiros que angustiavam e davam tanto e todo sentido à vida. Sim! O que seria dela sem eles? O arqueiro tenta se concentrar olhando fixo para frente, mas o coração está vazio e frágil. Seu anjo surge inesperadamente. “Porque está olhando para trás? Você sempre abominou a maioria das coisas que estão lá!” O arqueiro fita o anjo. “Mas hoje aprendi que cada uma delas, mesmo que irritantes naquele momento, me fazem muita falta agora”. O anjo devolve o olhar. “Cuidado para que, olhando para trás não perca as que te deixa irritado agora. Elas também farão falta em seu futuro”.

Thiago Mendes

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