sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sobre o arco e o arqueiro!

Quando Jávier acordou, seu guia estava ajoelhado com o arco armado apontandona direção do infinito. O jovem toma café, varre a porta e o velho continua mirando com o arco. Mais 40 minutos se passam e lá está ele. Jávier quebra o silêncio: “O que o senhor está fazendo?”, pergunta, “está aí parado como uma estátua há horas”. O velho não move o arco, nem a cabeça. “Estou estabelecendo um vínculo de intimidade com a arma que mais gosto de usar”. Jávier contesta. “Não seria melhor ocupar este tempo dando flechadas em algum alvo específico?”. O velho mantém sua posição. “Esse é o problema de vocês, jovens”, explica, “estão sempre querendo atacar, jogar, testas. Um Soldado da Paz não estará pronto enquanto não puder estabelecer um relacionamento com sua arma”. Jávier se irrita. “O senhor só pode estar louco”, diz. O guia mira para o lado de Jávier. O jovem pensa em correr, mas não adiantaria, seu mestre era bom demais de pontaria para que fugir resolvesse alguma coisa. O velho dispara, a flecha passa a poucos centímetros da cabeça de Jávier que fica enfurecido. “Está louco? Atirou em mim! Não sabe que poderia me atingir?”. O guia sorri. “Não, eu não podia te atingir. Conheço bem a minha arma, passei horas hoje combinando com ela sobre de que lado iriamos te atacar”. O moço se cala, não entendeu muito bem a lição, mas pelo menos aprendeu que nunca se deve afrontar um velho armado e que o arco e o arqueiro devem ter sempre o mesmo alvo!


Thiago Mendes

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