quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre a menina que vendia flores!


O Soldado da Paz caminhou sozinho durante mais de dois dias até que avistou um lugar chamado Vila das Flores. A vila pequena, cortada ao meio pela estrada, é cheia de vendedores e vendedoras de flores de ambos os lados. “Deseja flores rapaz?”. O Soldado da Paz para e fita a moça com voz doce olhos sedutores. “Não tenho ninguém a quem eu possa entregá-las. Elas são lindas, tem um perfume delicioso, mas não saberia como usá-las. Além disso, não tenho dinheiro”. A moça mantém o sorriso tímido. “Você parece forasteiro, de onde vem?” O Soldado da Paz tenta não olhar nos olhos da moça, o que a cada segundo se torna mais difícil. “Sou guerreiro, vivo nas estradas, abandonei meu grupo para encontrar o sentido da minha vida”. A moça fica em silêncio apenas por alguns segundos. “Achei que as batalhas fossem o sentido da vida de um guerreiro. Vivendo ou morrendo, de qualquer maneira, o que importa é que se tenha cumprido a sua missão”. O Soldado da Paz não pareceu afrontado. “E você, o que faz além de vender flores?” A jovem sorri. “Um guerreiro sempre tem histórias incríveis”, diz ela. “Eu não, a única coisa que faço é esperar que alguém passe e se interesse pelas flores, e as leve”. O Soldado da Paz diz algo sem saber porque. “E quando alguém se interessa pela vendedora ao invés das flores, também pode levá-la?” Ela faz sinal que não. “Minha missão, por mais simples que seja, está aqui. Sou feliz fazendo do mundo um lugar mais belo e perfumado. Leve as flores de presente e tente mantê-las vivas dentro do seu coração. Eu ficarei aqui esperando que você volte. E você, siga seu caminho esperando que eu lhe alcance. Ambos sabemos que isso jamais irá acontecer, mas podemos manter viva esta esperança”. O Soldado da Paz pega o buquê e parte. “Ei rapaz, quer flores?” Mas desta vez não é com ele. Talvez seja mais um soldado fugindo do seu destino.

Thiago Mendes

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