terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sobre pratos e pecados!

Jávier, o aprendiz, e Álih, seu guia, estão almoçando em silêncio. O jovem empurra o prato, se ajeita na cadeira, posta os braços sobre a mesa e fita o mestre: “Preciso confessar os meus pecados”, diz em tom angustiado. “Cada vez que olho em seus olhos sinto-me pior. A pureza de seu olhar me mostra o quanto estou distante da perfeição”. O velho dá uma olhada rápida na direção do rapaz, abaixa a cabeça e continua comendo em silêncio. “Tenho pensamentos impuros”, continua o moço, “e até troquei olhares com as meninas da vila onde compramos mantimento; já senti inveja do comerciante contando aquele monte de dinheiro em nossa frente, e já odiei cada dia da minha vida por alguns momentos”. O velho se levanta da mesa, segue para a pia, abre apenas um pouquinho da torneira e começa a lavar lentamente o seu prato sujo. Com a ponta dos dedos vai arrancando cada resto de comida. Jávier observa sem dizer nada. Mais água, mais mão, bucha, sabão, e um suspiro de: “Pronto!”. O jovem não precisa perguntar mais nada. Entendeu tudo: “A água são os ensinamentos sagrados, que com o tempo vão arrancando as impurezas de nós. E isso acontece quando permitimos que a mão do Mestre percorra toda a superfície de nossas vidas. Um dia certamente ouviremos: Pronto!”

Thiago Mendes

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