segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre a ordem e o ensinamento!

Quando Jávier acordou de manhã não ouviu o assovio melódico de seu guia. Foi à cozinha, ao jardim, observou se o velho estava varrendo em baixo das árvores - nada. O moço entra novamente na cabana e vai ao quarto. Seu guia está embrulhado por várias cobertas e treme de frio. “Acho que estou morrendo, filho”, diz com voz fraca e trêmula. “Corra até a cidade, procure ajuda, compre algum remédio, qualquer coisa”. Jávier contesta. “Não posso deixá-lo aqui sozinho, pode morrer. Além do mais”, continua, “o senhor me ensinou que um Soldado da Paz jamais poderá abandonar um companheiro nestas condições”. O velho se irrita. “Esqueça o que ensinei e faça o que estou mandando. Se você ficar aqui eu irei morrer do mesmo jeito”. Jávier fica indeciso. Se ficar e o velho morrer pensará que poderia ter ido buscar ajuda e salvo sua vida. Se for até a cidade e quando chegar o velho estiver morto se culpará para sempre por ter deixado seu guia só. Neste momento ele pega o velho na cama e joga em seus ombros. “Iremos juntos procurar ajuda”, diz. No caminho, quando já atravessavam as montanhas Jávier percebe que a voz do velho já não parece tão trêmula e debilitada. “Engraçado”, pensa, “ele conta histórias e sorri enquanto eu o carrego. Será que não está doente e só queria ver meu comportamento? Isso não importa agora, vou levá-lo em meus ombros e cumprir a minha missão”. Neste instante o velho já apontava o dedo alegre em direção às montanhas explicando o nome de cada uma delas. Se ele estava ou não doente, Jávier nunca soube, mas foi aí que aprendeu que um ensinamento vale mais que uma ordem.

Thiago Mendes

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