segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre o lobo, a Lua, você e eu!

Jávier acorda seu guia espiritual no meio da noite chuvosa. “Tive um sonho terrível”, conta assustado balançando o velho ainda na cama. “Sonhei que era um lobo e estava no alto de uma montanha, e ali, celebrava a Lua cheia com seu brilho tímido e beleza inigualável”. O guia senta-se na cama para ouvir o sonho de Jávier. “Lá em cima sentia um vento forte e frio, e dali”, continua, “podia observar as luzes de uma cidade distante e aparentemente solitária. Percebi que ali estava eu; estávamos nós, tão solitários quanto a Lua que vaga sozinha pelo infinito, como aquela cidade vazia perdida no meio do nada, como um lobo solitário que celebra sua solidão no alto de uma montanha. Aqui estamos nós: juntos e separados, felizes e frustrados, seguindo no meio de uma multidão, mas navegando sem ninguém para remar do outro lado do barco”. O velho abre um longo bocejo enquanto se prepara para falar. “Você está aprendendo a perceber o valor de ter alguém pra dividir a vida”, começa. “Enquanto não podemos entender a solidão, não somos capazes de valorizar uma boa companhia. Quando sentimos a solidão da Lua vagabunda pelo espaço, começamos a enxergar os outros que, como eu, vagam por esta vida procurando alguém com quem possam dividir um pouco de si”. O velho não diz mais nada. Deita-se, vira para o canto e cobre a cabeça com a coberta. Enquanto isso Jávier vai até a janela e olha para o Céu. Lá está ela. Linda, imponente. Não importa quantos admirem a sua beleza ou se amem refletidos por sua luz. A Lua estará sempre lá, cumprindo sua missão e curtindo a sua solidão.

Thiago Mendes

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