quinta-feira, 30 de julho de 2009

Palavras de um velho que já viveu tudo. Escute o que ele tem a dizer


Me casei com a única mulher que já amei. E a beijei. Sim, a beijei muito.
Fui aos lugares que gostaria de ter ido.
Contei e ouvi as histórias que gostaria de ter contado e ouvido.
Sentei com meus filhos e netos na porta de casa e contei minhas aventuras da mocidade, a maioria mentia - contando coisas que aconteceram com os outros como se fosse comigo, era mais emocionante pra mim e para eles.
Fiz café, plantei um pé de manga, bebi o café e chupei as mangas do pé.
Caminhei por estradas longas, me arrependi de alguns caminhos que tomei, e acabei voltando por eles; em alguns continuei até o fim para ver onde iam e descobri que teria sido mais feliz se houvesse voltando o quanto antes.
Agora, nos últimos dias de minha vida, procuro crianças para contar o que a vida me ensinou, mais as ruas estão vazias. Não vejo meninos soltando papagaios nem meninas embaixo de jabuticabeiras brincando de cozinhadinho. Não ouço o barulho de meninotes pulando cercas em direção aos campinhos de futebol e nem ouço mais o choro manhoso das bonecas de meninas. As crianças estão caladas e se parecem robôs, acho que estou mesmo velho, caduco, ou o mundo mudou.

Gostaria de ver as crianças correndo novamente antes de morrer.

É triste, mais é assim que é,



Thiago Mendes

2 comentários:

Pra. Fran Mendes. disse...

Nossa o texto é otimo, e muito triste é a realidade.

Sua Fran.

Jocianne disse...

Que texto lindo... e como é real! Como as crianças de hoje não puderam provar o doce gostinho da verdadeira felicidade da infância... as brincadeiras livres, cozinhadinho, subir em árvores... acho que eu sou o velho do texto... rs mas feliz por ter vivido tudo isso plenamente!

Daqui pra frente!

Vai com fé que dá. Você já tem muita luz, são se ofusque. Não se acanhe com olhares de reprovação. Não se abale com comentários negativ...