segunda-feira, 26 de maio de 2008

O JULGAMENTO DE JESUS: EU ESTAVA LÁ


No julgamento de Jesus havia pessoas de todos os modos, vindos de todas as partes para a festa da páscoa. Ele havia sido preso a noite e agora, ao amanhecer, por volta das 6:30 da manhã, quando o movimento em Jerusalém já começava a esquentar, quando a cidade já estava acordada, ele foi apresentado à Pilatos. O governador analisou o caso, era apenas mais um dentre as centenas que ele julgava todos os meses. Era só mais um baderneiro, ou alguém que havia caído na empatia popular e que por isso estava ali para ser preso e quem sabe até condenado à morte.
As pessoas vão pouco a pouco chegando, primeiro os sacerdotes, os funcionários, soldados, curiosos, cada um vai encontrando um canto, encostando-se à parede ao fundo, enfiando no meio da multidão afim de não ser percebido, sem perder o momento. Alguns comentários se iniciam: “Este não é aquele que há alguns dias foi recebido aqui na cidade sendo aclamado como Rei dos Judeus?”. “Sim”, disse alguém com um sorriso cínico. “O mundo dá mesmo muitas voltas, não é mesmo?”. Um homem vira para traz e faz apenas um comentário: “Quis aparecer demais, deu no que deu”.
A ambiente continuava ríspido. Alguns trabalhadores que seguiam para o campo, vendedores ambulantes, algumas crianças e poucas mulheres com olhar assustado iam se aproximando.
“Ele até que não é má pessoa, o problema é que se misturou muito com pecadores, devia ter se aliado aos fariseus, se assim tivesse sido, jamais estaria nesta situação delicada”, falou um homem com aparência de justo.
No mesmo pátio e com uma consciência tão mais elevada quanto seu posto sobre os outros, Pilatos questionava o réu: Tu és o Rei dos Judeus?
“Tu o dizes”, responde com olhar firme e amável.
A multidão observa atenta.
O Réu não apresenta medo, o que surpreende o Governador, que descobre que ele é da jurisprudência de Herodes e o envia ao tetrarca.

Agora o sol já estava bem quente na Cidade Santa. Os comerciantes de Jerusalém esperavam animados o início da páscoa e não tinham tempo para se importar com o julgamento de mais um criminoso qualquer, mas como o alvoroço estava um pouco maior que o comum, várias pessoas começaram a acompanhar o comboio que levava o tal criminoso ao julgamento de Herodes.
Os meninos corriam atrás dos soldados. “Tio, ele matou quem?”, pergunta um deles que seguia a multidão ao soldado. “Não matou ninguém!”. “O que ele roubou?”. “Não roubou”.

Quando Herodes viu o Réu ficou muito alegre, pois há muito tempo queria vê-lo. O tetrarca começou a fazer perguntas, mas o acusado nada respondia, o que acabou gerando certo desprezo por conta de Herodes que não encontrou nenhum crime e resolveu devolve-lo ao julgamento de Pilatos.
O vai-vem foi despertando a curiosidade popular que ia se aglutinando mais e mais, no caminho de volta à Pilatos. O Governador ao ver que Herodes também não tinha julgado desejou soltá-lo. E pediu que os soldados buscassem o pior dos presos que estava para ser julgado, aquele que causava medo em todo o povo, assim espertamente, por ser época da páscoa e ser de costume soltar um dos presos, o povo seria obrigado a soltar o Réu que parecia inocente, afinal ninguém condenaria um inocente para soltar o pior de todos os criminosos.
“Nós temos este, senhor”, disse o soldado apresentando um homem com olhar perverso. “É o criminoso mais perigoso de toda Jerusalém. É ladrão, assassino e temido por todo o povo”.
Pilatos não disse nada, mas imaginou que agora ele conseguiria se livrar do julgamento, o criminoso era pior que pensava.
O governador olhou para a multidão que agora já era de centenas, a hora já se aproximava do meio dia e falou confiante na sua estratégia: “Tenho aqui o pior criminoso que esta cidade já viu”. Ouviu-se um barulho de surpresa da multidão.
“Barrabás, assassino, ladrão e rebelde”.
Os cochichos começaram no meio da massa. Alguns diziam baixo que Barrabás já havia roubado de um parente, que tinha assassinado um conhecido. O Governador pediu silêncio.
A multidão se silenciou. Pilatos fez a pergunta já certo da resposta:
“Jesus ou Barrabás”?
No meio da platéia que assistia o “espetáculo” tinham quatro tipos de pessoas:
1- Os sacerdotes que eram incomodados pelas palavras de Jesus;
2- A multidão que não sabia por que estava ali e nem o que dizia;
3- Os que conheciam a Jesus mais estavam com medo de se pronunciar;
4- E ricos demais, como Nicodemos e como José de Arimatéia que certamente estavam na platéia, conheciam Jesus, mas a pose jamais permitiria tal vexame.

Se eu estivesse lá, o que eu teria gritado? Será que teria me calado pela conveniência? Teria me escondido em um canto?

O Governador repete a pergunta: “Jesus ou Barrabás”. A multidão como um coro afinado grita quase que unânime: “solte Barrabás, crucifique Jesus” e repetidas vezes a melodia foi sendo cantada pela multidão: “solte Barrabás, crucifique Jesus”. O governador lavou as mãos.

Aqui, vemos a primeira ação do salvador, que se coloca no lugar dos piores homens. Todos nós somos Barrabás, todos nós somos Pilatos, todos nós somos a platéia do julgamento. Ele foi para a Cruz, quando quem deveria ir era o pior dos pecadores, ou seja: eu. Barrabás representa todos os que deveriam ser crucificados, Jesus não subiu não Cruz só no lugar dele, mas no lugar de todos nós!
Pense nisso,



Thiago Mendes



Um comentário:

disse...

Foi um belo sermão! A última frase do seu texto, "pense nisso" deveria chegar bem profuno em nossos corações, para nos fazer amar e adorar a JESUS, muito mais que as futilidades do mundo. Pois só com a certeza de sua vinda é que posso viver! Continue assim pastor, cuidando de nós! Beijo