terça-feira, 2 de agosto de 2022

Suba o monte!

 

Se for necessário, mesmo que por um curto espaço de tempo, se afaste de tudo. Às vezes a gente precisa da distância para enxergar melhor a dimensão da tempestade. Na euforia da busca por sobrevivência, há pouco espaço para reflexão sobre o sentido de passar por tudo que passamos. As brigas cada vez mais constantes, as privações cada vez mais rigorosas, a impaciência com quase tudo, a evolução em quase nada; a vida vai tecendo e a gente vai cedendo, até que nos tornamos alheios - verdadeiros estranhos, em relação a quem realmente somos. Olhando aqui do alto da montanha, os problemas parecem bem menores lá embaixo. Alguns irão dizer que você se acovardou e fugiu, mas não lhes dê ouvidos. Às vezes a gente precisa da distância para enxergar melhor a dimensão da tempestade. É no alto dos montes que geralmente os milagres acontecem, sobretudo aqueles que, após muito meditar, decidimos provocar em nós. Subimos água, descemos vinho. Subimos pó, descemos fé. Subimos confusos, descemos plenos. Não é fuga. Às vezes a gente precisa da distância para enxergar melhor a dimensão da tempestade.

Thiago Mendes     

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