segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre a caixa do esquecimento!

Hoje a Mulher de Fé acordou com vontade de mexer no baú de suas pelúcias. Subiu ao alto do guarda-roupas, tirou a caixa coberta de poeira, sentou-se à cama e decidiu fazer aquela viagem de volta ao seu passado. Lá está o urso Ted, que agora além de coberto de poeira perdeu um dos olhos e está rasgado. Ted já foi seu melhor conselheiro e amigo. Quando ela levava uma bronca, ou descobria que o garoto de quem gostava estava com outra, ou ainda quando alguém a chamava na escola por aquele apelido que até hoje lhe dá arrepios, o Ted sempre estava por ali. Nunca descordou, nunca apoiou, nunca murmurou de seus óbvios exageros e nem de ser completamente encharcado por suas lágrimas. Mas um dia o velho Ted tornou-se inútil e acabou na caixa do esquecimento. A Mulher de Fé respira fundo. “Quantas pessoas importantes em meu passado já coloquei na caixa do esquecimento? Gente que me deu a mão, que chorou comigo, que me apoiou nos momentos em que mais precisei, mas que, por motivos quem nem me lembro mais, se tornaram inúteis e foram abandonadas?!”. Sim, o Ted não está sozinho na caixa do esquecimento. A Mulher de Fé pega uma agulha e começa a costurar seu velho amigo. Mas será capaz de fazer o mesmo com todos que estão feridos ali dentro? Ela espera que sim!

Thiago Mendes

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