sexta-feira, 2 de março de 2012

Sobre as folhas de papel!

O Soldado da Paz está de pé e observa o infinito. Um de seus homens se aproxima. “O que está olhando, senhor?”. O líder não responde nada, parece irritado e impaciente. O companheiro se cala, mas permanece ali, como se estivesse guardando a alma de seu líder. Ele sabe que o peso da missão às vezes mexe com nosso interior e quando isso acontece é melhor descontar tudo ali, no infinito. Ao contrário poderemos machucar companheiros que só nos fazem o bem e que não contribuíram em nada para a alteração de nosso humor. Os dois permanecem calados por mais alguns minutos jogando suas pedras, suas raivas e flechas, todas ao infinito. Neste momento o Soldado da Paz coloca a mão no bolso e retira uma folha de papel. “O que está escrito aí?”, pergunta o companheiro. O Soldado da Paz começa a rasgar a folha em vários pedaços. “Aqui está escrito tudo que eu fui tentado a dizer a vocês, mas que sei que era apenas minha alma amargurada procurando alguém em quem eu pudesse descontar meus sentimentos ruis”. O Soldado da Paz aproveita o vento que sopra de repente e solta os pedacinhos de papel. Eles voam para os braços do infinito e desaparecem. Os dois começam a caminhar abraçados voltando ao acampamento. “Lá havia algo que você gostaria de me dizer?”, pergunta o companheiro. O Soldado da Paz sorri. “Sim, mas não me lembro mais o que era, o vento levou”.

Thiago Mendes

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